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Palavra do Reitor

Férias sempre combinam com estudos – e reflexão!

 

Mais um semestre chega ao fim. Venho parabenizar aos que concluíram sua trajetória de estudos conosco e aos que passaram nos exames, e quero me confraternizar também com nossos valorosos professores e funcionários por mais uma etapa exitosa de nossa instituição. É hora do merecido descanso das atividades acadêmicas.

Especialmente aos alunos, sempre gosto de enfatizar que é realmente possível – e gratificante – conciliar descanso e estudos. Não deixem de estudar, de dar uma revisada nas matérias, de ler sobre assuntos que possam enriquecer o conteúdo que receberam em sala de aula. E que tal fixar uma meta de ler um ou dois clássicos nessas férias, um daqueles livros considerados “eternos”? Não me recordo quem disse que os clássicos promovem um adestramento de nosso imaginário e podem nos deixar mais tolerantes, mais generosos. É fato que a ficção nos coloca em contato com realidades, com dramas bem possíveis de acontecer ao nosso lado, impelindo-nos à fraternidade, a uma vida de serviço ao outro.

Independentemente das leituras, acadêmicas ou não, não deixem de se inteirar sobre os acontecimentos que estão em pauta no Brasil e no mundo. Isso também faz parte da cultura, da formação e, consequentemente, da busca por soluções para os muitos dramas que estamos atravessando. Vou citar um tema em particular que merece um olhar mais atento de todos nós: a crise dos imigrantes, gente que viu como única possibilidade de sobrevivência, própria e dos seus, a fuga para terras distantes. 

Aqui mesmo, os haitianos, os venezuelanos e gente de outras tantas nacionalidades são o retrato fiel da intolerância e racismo de nossos tempos. Por trás de todo esse espetáculo está um sistema que não mede esforços para nos impor como necessárias e imprescindíveis coisas como o celular de última geração, a roupa da moda, o carro importado... E passamos o tempo para atendermos a esse apelo, deixando de lado o que realmente tem valor.

Entramos numa espiral de consumo sem paralelo na história. Estamos tão impregnados dessa lógica que nem nos damos conta de mudanças importantes que ela provoca no seio familiar e ao meio ambiente. Quando criança, eu herdava de bom grado as roupas de meu irmão mais velho, coisa impensável para os garotos de hoje. Antes, a família conseguia educar cinco, seis filhos. Hoje, quase não dá conta de um. Para o pequeno príncipe tudo do bom, exclusivo e melhor. É a escola, o cursinho de inglês, a natação, o esporte, a viagem, o Iphone... E a tecnologia precisa ser a mais moderna, mesmo que não se usem nem dez por cento dos recursos que ela oferece.

Esse tipo de mentalidade consumista, hedonista, incita a prática da corrupção. Para obtermos o que o sistema determinou como imprescindíveis para nossas vidas, não medimos sacrifícios. Sempre se dá um jeito de minimizar os obstáculos, de promover uma redução de danos, de se criar uma interlocução vantajosa com quem pode facilitar o acesso, a obtenção desses objetos de desejo, mesmo que por meios escusos.

Voltando ao tema deste bate-papo, as nossas férias, minha sugestão é que aproveitem o período de repouso para se inteirar dos fatos que repercutem em nossas vidas. Leiam mais, corram atrás, estudem soluções, sem paixão, sem demagogia ou ideologias que já se mostraram contraproducentes, ineficazes. Comecem a pensar não apenas como cidadãos, hoje, agora, mas no âmbito de futuro, de horizonte profissional; como vão poder atuar em suas áreas para ajudar a reverter esse quadro tão desolador de nosso tempo? Estas são questões para serem levadas para fora da sala de aula, para o almoço em famílias, para as rodas de amigos, para as mídias sociais. Mas não transformem assuntos tão sérios em papo de boteco, irresponsável e inconsequente. 

Aproveitem o descanso para se reposicionarem em relação a tudo o que desafia nossa sociedade hoje. Às vezes nos afundamos no trabalho, no estudo, de segunda a segunda, e nos esquecemos da reflexão necessária sobre nosso comprometimento com todas essas questões tão desafiantes e aonde tudo elas podem nos levar. Este é o momento de redirecionar os objetivos, os sonhos e os horizontes pessoais, de nosso País e do mundo.

Boas férias!

São Paulo, 15/07/2019

Reitor

Prof. Dr. Pe. Edelcio Ottaviani

Reitor do Centro Universitário Assunção - UNIFAI