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Palavra do Reitor

Pio XII e nossa mensagem de Natal

Meu último momento com vocês aqui no UNIFAI requer uma palavra especial. Depois de um ano tão conturbado, cabe-nos uma reflexão profunda sobre os rumos que queremos dar às nossas vidas, ao nosso país, aos nossos projetos. Não se surpreendam por eu ter buscado inspiração na radio-mensagem do Papa Pio XII, de 1943, intitulada “Con Sempre Nuova Freschezza” – O Santo Natal e a humanidade sofredora.
Isso mesmo, em plena Segunda Guerra Mundial o pontífice achou por bem enviar uma palavra de conforto e esperança, mas também de admoestação a todos os homens de boa vontade do mundo inteiro a favor de uma nobre sociedade. Onde ele foi buscar palavras? Em Belém, no adorável mistério da encarnação, que a Igreja celebra agora.
O pastor supremo da Cristandade expõe nesta mensagem as normas fundamentais da ordem interna dos Estados e dos povos, elemento integral para o convívio pacífico e colaboração internacional. Em suas palavras, “onde podereis depor este voto a favor da purificação e renovação da sociedade com mais tranquila segurança e confiança e com fé mais eficaz senão aos pés do "Desejado de todas as nações", reclinado diante de nós no presépio, com todo o encanto da sua doce humanidade de menino, mas também com o enternecedor atrativo da sua incipiente missão redentora?”
Aqueles que me conhecem bem sabem o quanto sigo apreensivo nesses tempos de violência, de intolerância religiosa, de desrespeito ao direito das minorias (indígenas, quilombolas, comunidade LGBTI, trabalhadores  assalariados). Nunca precisamos tanto de palavras de conforto e de orientação pautadas na integridade daquele que as profere. Pio XII chegou a ser julgado por não se manifestar a respeito do avanço das tropas nazistas e da perseguição aos judeus que dizimavam milhões de vidas. Por isso, fez o que denominou “um chamamento à consciência universal e um grito que convoque a todos quantos estão dispostos a ponderar e medir a grandeza da sua missão e responsabilidade com a amplitude da calamidade universal.”
Alheio também não posso ficar ao que considero como uma ameaça aos princípios democráticos... E faço meu o convite do pontífice a um responsável espírito cristão, para uma análise interior sobre nosso papel na construção de uma sociedade mais pacífica, respeitosa aos direitos comuns e dos valores inerentes ao modo de Deus governar as coisas e as pessoas deste mundo (reino de Deus), revelados por Jesus. 
“Nenhuma sólida e imperturbável frente de paz será possível, ou é de fato realizável, para o exterior, sem uma frente de paz interna que inspire confiança. Por conseguinte, só a aspiração de paz integral, nos dois campos, virá livrar os povos do cruel pesadelo da guerra, diminuir ou superar gradualmente as causas materiais e psicológicas de novos desequilíbrios e perturbações”, recomendou o Papa.
É com Pio XII que finalizo este meu momento com vocês: “A nossa bênção e o nosso paterno augúrio e encorajamento acompanhem a vossa generosa iniciativa e permaneçam com todos os que não fogem dos sacrifícios duros, armas mais potentes que o ferro para combater o mal de que sofre a sociedade. (...) em prol dum ideal social, humano e cristão, luza consoladora e incitadora a estrela que brilha sobre a gruta de Belém, astro augural e perene da era cristã. Da sua vista tirou, tira e tirará forças todo coração fiel: ‘Ainda que acampem exércitos contra mim, não perderei a esperança’ (Sl 26,3). Onde esta estrela resplandece, está Cristo: ‘Sendo ele nosso guia, não nos desviaremos; vamos por ele a ele, para gozar por toda a eternidade com o menino que hoje nasceu’".(3)

São Paulo, 21/12/2018

Reitor

Prof. Dr. Pe. Edelcio Ottaviani

Reitor do Centro Universitário Assunção - UNIFAI