Professores, preparem-se para a escola digital !

Karina Paz Pereira Alves[1]

Compartilho as informações mais importantes da palestra ministrada pelo Prof. Dr. José Manuel Moran, Doutor.em Ciências da Comunicação,sobre o tema: “Novos cenários educacionais no Brasil”. A palestra foi proferida em 20.10.2008, no CIEE.

Atualmente a educação escolar visa principalmente ao lado intelectual e o professor, na maioria das suas ações, apenas informa. Essa estrutura perdura por muitos anos, mas hoje já não traz mais resultados porque o lado humano, os valores foram esquecidos, excluiu a realidade e fragmentou o conhecimento (escola analógica).

Com o advento das mídias e das tecnologias, as escolas adaptaram suas grades curriculares, algumas escolas montaram laboratórios de informática, mas o principal não fizeram: modificar o olhar do professor que de “informador” deveria  passar a ser “orientador”. “A transição da escola analógica para a escola digital não significa que o professor levará os alunos para o laboratório sem um propósito significativo ou usará o método ‘power point’ em todas as aulas, mas sim um aluno que é pesquisador e não ouvidor de aulas, que por conseqüência terá uma aprendizagem mais significativa tornando-se autônomo, capaz de fazer suas próprias escolhas e com mais liberdade”.

Primeiramente é preciso adaptar-se às mudanças, perceber que não há mais espaço para a escola analógica e nem para o professor informador e perceber que, por meio da educação (escolar e familiar), o aluno deverá aprender a fazer escolhas significativas, apreender de forma integrada e saber interagir afetivamente. Por isso é importante inserir na aprendizagem o lado emocional, a ética (contextualizando e aprofundando os valores, nas diversas visões de mundo) e, por último, na realização profissional, de tal forma que o aluno perceba que seu trabalho tem significado.

Com relação às ferramentas proporcionadas pelas novas tecnologias, a educação caminha para uma “comunicação fácil, audiovisual, flexível em que é possível vermos e ouvirmos, perto ou longe”, em que qualquer pessoa poderá acessar a web ou interagir frequentemente conferência e cursos on-line.

É uma “integração profunda entre o mundo físico e o virtual-digital” baseada em um projeto pedagógico bem elaborado,  direcionado e focado para o lado humano.

Há uma movimentação muito maior do que se percebe, a cidade se transformará em uma “cidade educadora digital”, pois não há como a escola resolver os problemas emocionais, morais e intelectuais sozinha.
O Prof. Moran ressalta que a escola será “multiespacial”  e “multitemporal”, portanto é preciso estar preparado para ela, assim o “estar conectado” representa poder estudar em qualquer lugar e fazer do estudo algo seqüencial, ilimitado, indo além da sala de aula.

Em conseqüência dessas modificações, os cursos deverão ser semi-presenciais, na sua maioria ministrados a distância, nos quais o aluno poderá aprender onde quiser e no momento em que achar conveniente.

Será uma tarefa muito difícil e lenta, ainda mais por vivenciarmos o período de transição sem termos a certeza, com um “método” específico a ser seguido. É preciso transformar-se para fazer parte deste todo. Assim alunos e professores serão parceiros e a aprendizagem de fato será mais significativa:

“Nosso papel é de transição de uma escola que temos em nosso DNA para esta que ainda está em construção”, diz Moran.



[1] Aluna graduada em Filosofia – Licenciatura Plena, cursando 4º Semestre do Curso de Pedagogia – Licenciatura Plena.