Formação do professor universitário – que caminhos seguir?
Aline Bento Ambrósio Avelar
Miriam de Lourdes F. B. da Silva
Marcos Tarcísio Marra
 

Resumo: Os professores das primeiras escolas superiores foram inicialmente trazidos de universidades européias e a partir da década de 1950, cursos desta natureza começaram a ser ofertados, porém, durante a década de 1970, observou-se grande avanço quantitativo nas ações voltadas para a formação de professores universitários e este processo ainda não pode ser considerado satisfatório em termos de preparação destes profissionais, no que diz respeito à docência, pois ainda existe parcela da comunidade acadêmica e responsáveis pelas políticas educacionais que entendem o preparo pedagógico para o exercício da docência como algo supérfluo e desnecessário.Entretanto, não é apropriado que o professor se encastele em sua superioridade. Sua postura deve ser a do indivíduo proposto a transmitir seus conhecimentos, fazendo que haja uma compreensão empática, uma transformação. Afinal, o que é a universidade senão nós mesmos? Transformar a sociedade começa pela nossa transformação, a respeitabilidade, assim como a imagem e o conceito que se tem de pessoas e instituições é fortemente construída pela opinião daqueles que as orbitam.
 

Palavras-chave: Professores, Formação, Universidade.

Abstract: The teachers of the first colleges were originally brought from European universities and from the 1950s, such courses began to be offered, but during the 1970s, there was great progress in quantitative actions for the training of university teachers and this process can not yet be considered satisfactory in terms of preparedness of these professionals, with regard to teaching, because there is still part of the academic and educational policy makers who understand the pedagogical preparation for the teaching profession as something superfluous and unnecessary. However, it is not appropriate for the teacher to fortify their superiority. Your posture should be that of the individual proposed to share his knowledge, ensuring that there is an empathic understanding, a transformation. After all, what is the university but ourselves? Transform society begins with our transformation, the respectability as well as the image and concept that has people and institutions is strongly built by those who view the orbit.
 

 1. Introdução
 

     Uma das críticas mais comuns dirigidas aos cursos superiores (também feita ao fundamental e médio) diz respeito à didática de seus professores, ou seria melhor dizer, à falta dela. São comuns relatos de que o professor sabe a matéria, porém não sabe como transmiti-la aos alunos, de que o professor não sabe como conduzir a aula, não se importa com o aluno, é distante, por vezes arrogante, ou que não se preocupa com a docência, priorizando seus trabalhos de pesquisa e/ou atividades executivas. 

     Situações como estas são tão freqüentes que parecem fazer parte da “natureza” ou da “cultura” de qualquer instituição de ensino superior.
Poucos são os cursos que disponibilizam aos pós-graduandos preparação específica para a docência. Considerando que estes já são especialistas em suas áreas específicas de formação, mas não necessariamente bons transmissores de conhecimento.

     Este trabalho apresenta algumas considerações sobre o que é proposto oficialmente, deficiências, omissões e lacunas da proposta de educação do governo e põe em discussão o que efetivamente se pode fazer para a melhoria da qualidade de aprendizagem nos diversos níveis de ensino, em especial para aqueles profissionais que lidam com o aluno mais adulto que está ingressando no mercado de trabalho e traz as ansiedades de um pós-adolescente, de um novo profissional que nem sempre sabe com exatidão o que deseja ser, e acima de tudo, com a heterogeneidade de turmas com histórico cultural, de ensino e condição sócio-econômica tão diversos.

     É, antes de uma tese, uma proposta de como se desconstruir algumas discussões filosóficas, pedagógicas e políticas e se propor um novo olhar sobre o assunto.

 

2. Breve histórico

     Os professores das primeiras escolas superiores brasileiras foram inicialmente trazidos de universidades européias. Com a expansão dos cursos superiores, ocorridas especialmente após a Proclamação da República, o corpo docente precisou ser procurado entre profissionais renomados, com sucesso em suas atividades profissionais.

     No entanto, o interesse pela melhoria da qualidade professor universitário não era de todo inexistente, mas ações efetivas foram tomadas somente a partir da década de 1950, quando cursos desta natureza começaram a ser ofertados de modo mais sistemático, obedecendo a padrões mais rigorosos.

     A partir da década de 1970, época marcada pela rápida expansão do ensino superior brasileiro, observou-se um grande avanço quantitativo nas ações voltadas para a formação de professores universitários. No entanto, como ressalta Berbel (1994, p.21), este processo ainda não pode ser considerado satisfatório em termos de preparação destes profissionais, especialmente no que diz respeito à docência.

     Durante quase dois séculos, a formação esperada do professor universitário foi limitada ao conhecimento aprofundado da disciplina a ser ensinada, sendo este conhecimento prático decorrente do exercício acadêmico e experiência profissional. Apenas aulas teste, aliás em raros casos, são exigidas como forma de avaliar o conhecimento pedagógico e a dinâmica e desempenho em sala..