A ABERTURA ECONÔMICA E SEUS REFLEXOS NOS PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO.

CRISTINA MONTE DE OLIVEIRA

                    
Um fator preponderante, dentro do processo de desenvolvimento de uma economia, é determinado pelo grau de suas relações com o resto do mundo. quanto maior for o grau de abertura de uma economia, maiores serão os efeitos dos movimentos do mercado internacional sentidos pelo mercado doméstico. Um bom exemplo desta situação são os efeitos da crise dos títulos subprime do mercado imobiliário americano e seus reflexos nas diversas bolsas de valores do mundo e as movimentações no fluxo de investimentos internacionais, impactando de maneira mais forte nas economias domésticas dos países em desenvolvimento, mais suscetíveis às flutuações destes fluxos internacionais de capital, em decorrência da carência deste fator de produção. Portanto, é inegável que ocapital é imprescindível para as economias em desenvolvimento; sua volatilidade preocupa os analistas internacionais, pois esta aumenta rapidamente de intensidade em decorrência da velocidade de propagação das informações financeiras dos diversos mercados através da internet.
A condução do processo de abertura de uma economia é orientada pelo modelo macroeconômico adotado pela nação. As políticas que regulam este modelo e seus reflexos na atividade econômica são fundamentais quando nos referimos a economias em desenvolvimento ou subdesenvolvidas, que necessitam de um constante fluxo do fator capital via investimento direto ou indireto. Este processo de abertura é calibrado pela adoção de diversos instrumentos de política econômica que sinalizam ao mercado internacional a capacidade da nação em absorver novos negócios e investimentos, importar e exportar produtos, novas tecnologias e o risco do país (risco - Brasil); fatores estes inerentes ao processo e seus reflexos no desenvolvimento alcançado pela economia, na confiabilidade do sistema financeiro internacional, em seus governantes e no modelo macroeconômico adotado.
No Brasil, a partir dos anos 60 e durante os governos militares, os modelos macroeconômicos adotados pelo país eram modelos particularmente fechados, privilegiando-se o superavit da balança comercial pelas diversas formas de restrições e entraves tributários impostos às importações de produtos e serviços, que representam a saída de divisas do país. Entretanto, as exportações eram estimuladas por incentivos fiscais e vantagens cambiais em decorrência de um câmbio desvalorizado. Estas restrições às importações acabaram dificultando a renovação do parque industrial nacional gerando um alto grau de obsolescências frente à incapacidade de obtenção de novas tecnologias no mercado internacional. Verificamos hoje que a proteção de determinados setores industriais do país, como o setor de informática, não contribuiu para a efetiva promoção da competitividade e do desenvolvimento da indústria nacional.

Buscando o conceito da teoria econômica veremos, então, que um sistema econômico se beneficia quando se ampliam suas relações com o exterior. Há uma relação direta entre maior volume de comércio e elevação do nível de bem-estar da população; este processo é conseqüência de um aumento da capacidade de geração de emprego pelas empresas; logo, mais empregos, maior produção, maior renda disponível. Ocorre uma expansão da demanda agregada pelo aumento do dispêndio dos estrangeiros, ou seja, aumento das exportações, dos investimentos diretos e indiretos na economia do país.

A diversificação do setor industrial e a eficiência do processo produtivo também estão relacionadas com o grau de abertura da economia. É através do mercado internacional que o setor industrial se capacitará absorvendo novas tecnologias que serão aplicadas na otimização dos processos produtivos. A evolução do setor produtivo leva à sofisticação da pauta de exportação dos países em desenvolvimento, que passam a ofertar produtos de maior valor agregado e menor custo. Neste momento, temos uma desvinculação da política de preços a ser praticada no mercado internacional e da política cambial; os preços dos produtos a serem comercializados ganham competitividade, não dependendo mais de uma política cambial favorável à exportação.

Para finalizar, fica a reflexão sobre o desenvolvimento econômico de uma nação e o padrão de abertura do modelo macroeconômico adotado. Esta é uma questão que vai além de uma análise simplista entre modelos de economia fechada ou aberta. Poderemos avaliar que o oposto a uma economia fechada pode não ser necessariamente uma economia aberta; a questão é maior e envolve a definição de padrões de desenvolvimento, tendo em vista o projeto nacional desejado pelos agentes econômicos, o ritmo e o grau deste processo de abertura e seu impacto no processo de maturação da indústria nacional.

Bibliografia:
KRUGMAN, Paul; OBSTFELD, Maurice. Economia Internacional: Teoria e Política (6ª Edição). São Paulo: Pearson Addison Wesley, 2005.
PINHO, Diva Benevides; VASCONCELLOS, Marco Antonio S. de (orgs.). Manual de Introdução à Economia